Não paramos no século 19: a escola que temos e a que queremos

Brasília, 28 de Setembro de 2017

 

No Brasil, temos observado com frequência, a
exposição de alguns especialistas e teóricos que insistem em afirmar que a escola
brasileira está parada no século 19, que repete o modelo industrial com carteiras
enfileiradas, quadro de giz, mas que deseja desenvolver pessoas para o século 21.
Muitas vezes, basta ouvir um programa de rádio ou televisão que esteja debatendo
Educação, que ouvimos críticas superficiais, com generalizações que muitas vezes não
condizem com a vivência e a opinião de qualquer educador que conheça a realidade da
escola, seu dia-a-dia, suas dificuldades e desafios.
É verdade que temos muitas escolas públicas com pouca ou nenhuma estrutura física,
sucateada, com goteiras, lâmpadas e vidros quebrados, e que muitas tem problemas de
segurança, inclusive. Mas temos de reconhecer que esta não é uma realidade da escola
particular, que em geral, possui uma gestão mais eficiente e focada no aprendizado e
desenvolvimento dos seus alunos. A escola particular tem estruturas melhores e diversas
(como diverso é o Brasil). Trata-se de um setor altamente competitivo, com mais de 40 mil
escolas particulares no Brasil, da educação infantil ao ensino superior.
Ao debater a Educação, precisamos analisar qual é realmente o papel da escola na
formação de um povo. Como se faz em lugares onde a educação dá certo? Qual é a
formação que as pessoas precisam atualmente, em um mundo globalizado, e daqui a 20
anos? Sempre que faço essas perguntas, costumo perceber um certo espanto no olhar
das pessoas. Em um mundo repleto de tecnologia, sedentarismo, pouco esforço e limite
(ou nenhum), o que realmente é importante para uma vida saudável e produtiva hoje e no
futuro? Posso afirmar que é, e será necessário saber ler, interpretar, escrever e fazer
contas, saber respeitar o próximo e as diversidades, as regras, os horários, ter espírito
crítico, separar o que importa de um mundo de informações disponível a todos, além de
aprender a fazer o que precisa ser feito, não apenas o que se gosta. Pois hoje, e daqui a
20 anos, tenho certeza, que quem tiver essas habilidades, saberá aproveitar as
oportunidades, e poderá viver melhor.
Para tanto, a Educação brasileira carece mais de foco, de aprimorar o básico, não pode
se esquecer de que o desenvolvimento de uma nação começa pela leitura e escrita, e o
desenvolvimento de valores. Algo simples e que para isso, o que se faz necessário não
são investimentos mirabolantes em estrutura e tecnologia. Obviamente que não estou
aqui dizendo que uma escola estruturada com computadores, acesso à banda larga,
ginásios cobertos, etc, não sejam importantes para a educação, mas esse não é o ponto
determinante. É uma questão de equilíbrio entre tais aspectos. Percebemos que
gastando o tempo e energia da sociedade com exageros de modismos de novas
tecnologias e sistemas, estamos nos iludindo na busca por atalhos. Repito que
precisamos fazer bem o básico.
Além disso, vale mencionar que, no Brasil, ainda é alto o número de analfabetos
funcionais, ou seja, aquelas pessoas que, apesar de terem acesso à escola, não
conseguem ler e escrever de forma a dar ou extrair sentido de palavras, números e ideias.
Então, ao investir apenas em tecnologia, sem antes melhorarmos o básico, formamos
meros usuários de tecnologias, mas não desenvolvemos uma sociedade protagonista
para o mundo da informação. Ou seja, colocar tecnologias em escolas que não ensinam a
ler e escrever, é pior. E ao tratar das escolas privadas brasileiras, acredito que temos
sempre prezado pela eficiência pedagógica, na oferta de boas estruturas e custos,
focando na formação de nossos alunos para o mundo globalizado.
* Por Ademar Pereira – Presidente da Federação Nacional das Escolas Particulares