As avaliações educacionais e as razões do baixo resultado brasileir

Brasília, 15 de Agosto de 2017

 

Nas avaliações nacionais e internacionais, o Brasil é
sempre destaque pelos baixos índices de proficiência que obtêm nossas
crianças e jovens. A maioria das análises desses resultados culpa as escolas, o
pouco investimento, e o desempenho e formação dos professores. Porém,
pouco se fala ou se analisa o verdadeiro agente da aprendizagem, o aluno.
Ao longo do tempo, observamos que apesar de alguns esforços, investimentos
e ampliação das discusões e estudos sobre este cenário, não avançamos em
quase nada. Precisamos olhar essas avaliações sob novos aspectos.
Os alunos, em sua maioria, não estão acostumados com o formato dessas
avaliações – e vejam, não estou falando que devem ser treinados a fazer.
Ocorre que esses exames diferem muito dos padrões aos quais as crianças e
jovens estão habituados. Então, poderíamos ter um trabalho nacional por
meio do qual possamos submeter nossos estudantes a esse tipo de avaliação
em suas rotinas escolares. Nesse sentido, estariam mais familiarizados e
teriam resultados melhores.
Observando o comportamento das nossas crianças e jovens -que nada mais são
do que o reflexo da nossa sociedade- percebo que eles se aplicam ou se
dedicam a algo por algum motivo em especial, seja alguma forma de
recompensa ou mesmo um desafio. Notem os resultados do ENADE, o exame
de conclusão que os alunos são submetidos após encerrar um curso superior. A
maior dificuldade é levar os jovens formandos a fazerem a prova, e, ainda,
responderem às questões com seriedade. Nesse caso, esta avaliação poderia
ser obrigatória e o jovem formando poderia levar a nota no seu histórico.
Assim, acredito que teríamos uma melhora significativa nos resultados.
Refletindo sobre isso, penso que acabamos ignorando uma realidade cultural
na qual as pessoas só se sentem motivadas a se esforçarem por algo que lhes
ofereça algum tipo de retorno. Observando outros países, como Finlândia,
Estados Unidos e Rússia, as avaliações são classificatórias, portanto, o aluno
precisa se esforçar ao máximo pois tem um objetivo pessoal. Por isso, os
exames nacionais e internacionais deveriam ser feitos com base nesta
premissa, criando instrumentos e mecanismos de recompensa. Poderiam estar
vinculados a circustâncias importantes na vida escolar do aluno, como em
provas bimestrais ou trimestrais, em seleções de ingresso nas escolas
técnicas, e no caso do Ensino Médio, a avaliação nacional poderia ser utilizada
conforme o ENEM, ajudando a pontuar o aluno para uma vaga no Ensino
Superior.
Por Ademar Pereira
Vice-presidente da Federação Nacional das Escolar Particulares – FENEP